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recordações
COMO É BOM RECORDAR, NÉ?

Eu já estava ensaiando pra escrever este
texto há alguns dias, mas hoje eu recebi do meu pai umas fotos da minha
infância e fiquei mais inspirada.
Quantas vezes a gente ouve histórias de
amigos e, principalmente, de pessoas mais velhas recordando os velhos tempos?
São tantas recordações! As vezes
lembramos nossas infâncias conversando com amigos, as vezes é uma avó ou outra
pessoa mais velha que nos conta como eram as coisas antes de chegarmos... A
gente consegue até visualizar, mas fica uma grande lacuna entre as criações da
nossa mente e a verdade.
Estou passando este mês numa pequena
cidade em Goiás chamada Palmelo. Ah! Quantas histórias!
Essa semana cheguei na cozinha do hotel,
que também é a casa da família e lá estava a dona Madalena contando como era
este local quando a mãe dela o administrava. Fiquei lá ouvindo-a descrever cada
detalhe do banheiro externo, do fogão a lenha, da lavanderia... Uma verdadeira
viagem no tempo, mas após me tornar fotógrafa documental e apreciadora de
história, percebi algo que antes não me chamava tanto a atenção, no entanto,
hoje considero fundamental: uma imagem para completar uma história.
Isso me tirou o sossego. Por mais que ela
descrevesse tudo nos mínimos detalhes e eu ainda a enchi de perguntas pra
conseguir formar uma imagem mental, percebi que nunca chegaria nem perto de uma
cena real. E quando ela se for? Quanto vai sobrar dessas memórias para a
posteridade? Apenas o que os filhos se lembrarem das histórias que ela contava.
É por isso que dou tanto valor à
fotografia documental.
Eu sei que eu bato muito nessa tecla, mas não me canso de tentar convencer as pessoas do quanto esses registros são
importantes.
Muita gente ainda me diz: “Não quero
tirar foto na minha casa porque meu filho rabiscou a parede” ou, ainda, “vou me
mudar pra uma casa melhor aí tiro fotos lá”, entre outras desculpas.
Pensem em suas infâncias. Tudo era como
nas novelas? Uma casa linda, um carro 0km, roupas impecáveis... A minha não foi assim e mesmo assim eu
gostaria de rever as casas, os animais de estimação, as roupas e os carros que
não lembro que tivemos ou lembro vagamente. Tiramos muitas fotos, mas deixamos
de tirar outras por acharmos que eram irrelevantes.
E aí? O que vamos deixar para a
posteridade?
Fernanda Christofanelli
Não deixe de conhecer um pouquinho do meu trabalho no site ou no instagram.
Às vezes precisamos de referência para lembrar.
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